segunda-feira, 22 de abril de 2019

O rock é a gente

Sua jaqueta de couro, aquela que eu gosto, aquela que esquenta minha bochecha quando eu deito cansada em seu peito no ônibus da turnê, é a que você veste todo sábado a noite. E lá no palco seu cabelo dança, suas bochechas sobressaltam, as luzes destacam as linhas do seu rosto e eu observo tudo minuciosamente. Você é tão doce, querido, tão doce e melancólico como o rock progressivo que você canta pra tanta gente. As meninas que te beijam nas fotos, que te abraçam quando você se aproxima da beira do palco, me fazem ter calafrios, mas permaneço quieta no fundo do palco: sei que o rock é você. Aliás, o rock é a gente e, entre a gente, as luzes se apagam, os gritos estridentes silenciam e as cordas do baixo param de vibrar. Entre a gente é um rock diferente: a guitarra é o som do meu gemido, o baixo é o seu sussurro enrolado nos meus ouvidos, o cheiro não mais é de nicotina - como é no meio do público - e sim do seu perfume masculino (forte e mentolado), e a bateria é a nossa dança, a mais íntima possível.

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