O olhar brilhante, o banco de madeira rústica, a miscelânea
de cores no céu, a superexposição de seu sorriso ofuscando todos os outros
rostos que por ali davam o ar da graça, o movimento horizontal do vento, seus cabelos dançando em sua têmpora, o
encolher de ombros de forma oblíqua, as pernas rígidas, suas mãos no bolso da
jaqueta, suadas, em razão do nervosismo e a boca entreaberta, quase seca,
conseguinte da brisa constante. Sim, eu me lembro de cada detalhe da nossa
pré-paixão, era tão deslumbrante que nem parecia que posteriormente eu seria
esquecida por você, querido. Mesmo assim essas imagens percorrem meus
pensamentos cada vez que recosto minha cabeça em meu travesseiro. Antes que meus olhos se fechem, eles insistem em mergulhar em um mar de
devaneios e saem de lá todos encharcados, respigando seus vestígios em meu
lençol. Você só foi um amor repentino, intrínseco em meus pensamentos, que
marcou para sempre minhas noites solitárias. E em todas as noites silenciosas
em que penso em você não te busco, apenas tento adormecer envolvida com a brisa
que penetra as frestas da janela e repousa em meu corpo.
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