sábado, 5 de julho de 2014

Pré-paixão

O olhar brilhante, o banco de madeira rústica, a miscelânea de cores no céu, a superexposição de seu sorriso ofuscando todos os outros rostos que por ali davam o ar da graça, o movimento horizontal do vento,  seus cabelos dançando em sua têmpora, o encolher de ombros de forma oblíqua, as pernas rígidas, suas mãos no bolso da jaqueta, suadas, em razão do nervosismo e a boca entreaberta, quase seca, conseguinte da brisa constante. Sim, eu me lembro de cada detalhe da nossa pré-paixão, era tão deslumbrante que nem parecia que posteriormente eu seria esquecida por você, querido. Mesmo assim essas imagens percorrem meus pensamentos cada vez que recosto minha cabeça em meu travesseiro. Antes que meus olhos se fechem, eles insistem em mergulhar em um mar de devaneios e saem de lá todos encharcados, respigando seus vestígios em meu lençol. Você só foi um amor repentino, intrínseco em meus pensamentos, que marcou para sempre minhas noites solitárias. E em todas as noites silenciosas em que penso em você não te busco, apenas tento adormecer envolvida com a brisa que penetra as frestas da janela e repousa em meu corpo.

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