terça-feira, 8 de julho de 2014

Carta Aberta

Soube que a velhice lhe atingiu bem no peito, não dando qualquer chance de reação. Soube também que a garrafa de Vodka tem sido sua melhor companheira por esses tempos. Aparentemente todas as lágrimas que derramei por você foram correndo pedir abrigo aos seus olhos e, minha solidão, que me acompanhou por tanto tempo, traiu-me e foi correndo pedir colo à suas coxas. Não vou incomodar-lhe já que segundo você a Vodka é uma ótima companheira, porém acredito que a mesma não consiga dar-lhe abraços gelados como você gostava naqueles nossos tempos. Nos separamos por você, eu juro. Quando eu queria apenas chorar em seus ombros você se ausentava. Nossos laços se tornavam frouxos a cada dia, porém só eu percebia... Você percebeu só quando estes nossos lanços se tornaram nós. O tempo é traiçoeiro: sempre está ao nosso ouvido nos pedindo para aproveitar, dizendo que temos que viver melhor que ontem, mas o próprio tempo pegou carona com os nossos bons momentos e eles se esvaíram.
Há lugares que nunca fui contigo, mas mesmo assim sua imagem se projeta prontamente a atormentar meus pensamentos. Mas, querido, nosso tempo passou... Mesmo que sua imagem continue acompanhando-me, sinto-me bem e continuarei tentando fingir que você foi apenas um amor repentino.

Aceite minhas prosas com carinho,
Com amor, seu ex amor.

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